CONSTRUINDO UMA TENDÊNCIA HUMANISTA P·ginas: 1/8 (7399 total de palavras neste texto) (1903 leitura(s)) 
Manifesto para uma tendência de novo tipo
Introdução:
É preciso pensar o que desejamos para uma esquerda contemporânea do século XXI. Boa parte dos nossos pressupostos teóricos, das idéias que fundamentaram a cultura da esquerda no século passado, evidenciam, desde há muito, um processo de esgotamento. As mudanças que vêm se processando na própria realidade social a uma escala impressionante nas últimas décadas; a emergência de questionamentos radicais que colocam a própria humanidade diante de seu futuro como aqueles oferecidos, por exemplo, pela bioética e pela ecologia; o desenvolvimento das tecnologias de comunicação em tempo real e as tendências à criação de sociedades virtuais em redes como a Internet; as radicais alterações no próprio mundo do trabalho, etc. estão a exigir de todos nós do PT, como de qualquer outra organização moderna, ousadia e, ao mesmo tempo, muita humildade. Apenas para que se tenha uma idéia, se tomarmos o conhecimento acumulado pela humanidade no primeiro século da era cristã, foram precisos 1500 anos para que ele fosse dobrado. Mais 250 anos foram necessários para que aquele conhecimento acumulado fosse dobrado pela segunda vez (1750) e, novamente, mais 250 anos para que ele fosse dobrado pela terceira vez. (1900) Atualmente, o conhecimento acumulado pela humanidade dobra a cada 18 meses (!)
A favor do PT, é preciso dizer que temos enfrentado nossa herança combalida com criatividade. O avanço do partido, nossas conquistas políticas e as responsabilidades crescentes que temos assumido o indicam claramente. Os limites oferecidos pelos antigos paradigmas, não obstante, nunca foram tão constrangedores e estão a exigir um esforço coletivo de elaboração. Não se trata de qualquer contribuição, é preciso sublinhar. Nos referimos à necessidade da reflexão, o que significa - tomando o conceito em sua radicalidade - a capacidade de colocar-se em questão e de testar nossas idéias na temperatura de sua própria destruição. Apenas essa vocação crítica pode nos trazer algum alento e fazer de nossas esperanças algo distinto de um otimismo alienado. Seria preciso que o PT fosse capaz de dialogar com o patamar contemporâneo da produção científica e do debate filosófico no mundo. Um partido político não se confunde com uma academia, nem com um clube de discussões. Sua especificidade são os desafios ofertados concretamente pela luta entre as alternativas de regramento da sociedade. Ocorre que um Partido político que não dialoga com a produção científica, por um lado, e com a reflexão filosófica, por outro, haverá de tomar as suas decisões mais importantes carente de instrumentos básicos e, neste ponto, encontrar-se-á constrangido por limites insuperáveis. O que afirmamos, então, é um processo em direção a uma esquerda renovada, capaz de sustentar os princípios de liberdade e justiça social em termos tão pagãos quanto modernos. Seja como for, ninguém pode imaginar, descontado o espaço natural do delírio, que os pressupostos dessa nova concepção estejam delineados. Não temos sequer a pretensão de indicar caminhos. O que queremos é oferecer ao partido um conjunto de posições que permitam um debate rigoroso, até para que nossas próprias idéias sejam corrigidas naquilo que guardarem de equívocos e limitações.
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