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SINCERAMENTE - BALANÇO CRÍTICO E AUTO-CRÍTICO DA TENDÊNCIA HUMANISTA (PT/RS)
SOBRE OS RESULTADOS ELEITORAIS. CONTRIBUIÇÃO AO DEBATE PARTIDÁRIO

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No dia 30 de novembro, a Tendência Humanista do PT realizou um encontro estadual em torno da seguinte pergunta: "Por que ganhamos o Brasil e perdemos o Rio Grande do Sul?" Para a abertura desse evento, organizamos um painel com os companheiros Pestana (Democracia Socialista), Villaverde ( Amplo e Democrático), Jones (Ação Democrática) e Marcos Rolim (Tendência Humanista). Companheiros e companheiras de outras correntes partidárias (Fórum Socialista, Força Socialista, Coletivo Pela Vida) além de alguns grupos independentes, acompanharam o evento e trouxeram suas contribuições. O presente texto foi sistematizado com base nos debates por uma comissão indicada pelos integrantes da TH e tem por objetivo auxiliar o PT do RS no balanço de nossa recente derrota estadual.
Este texto não tem por objetivo encontrar culpados pela derrota. Não se vincula, tampouco, a nenhuma das estratégias em curso para beneficiar este ou aquele "campo" interno. Nossa pretensão é a de produzir um material para análise e reflexão que seja, como o encontro que fizemos, aberto ao pensamento e destemido diante dos desafios que nos aguardam.

UMA GRAVE SITUAÇÃO

Antes mesmo de examinarmos as circunstâncias políticas mais relevantes que antecedem nossa derrota no RS, parece-nos importante assinalar a situação que pode ser identificada após os resultados eleitorais em nosso estado e que deverá ser enfrentada pelo PT. Em primeiro lugar, amargamos uma derrota que não foi, apenas, uma derrota eleitoral. Como se sabe, é possível, mesmo diante de um resultado eleitoralmente adverso, contabilizar avanços importantes em um projeto de acúmulo de forças. Há mesmo derrotas com o gosto das vitórias. Entretanto, o que experimentamos no RS foi uma derrota política de dimensões estratégicas, cujo amargor ainda não foi sentido plenamente.
Essa derrota dá-se em um quadro de desgaste sensível da imagem pública do PT no RS. O fenômeno não se vincula tão somente ao contencioso político-ideológico que emoldurou nossa experiência de governo estadual. Ele se desdobra na maioria de nossas experiências de governo nos municípios e caracteriza as próprias relações do partido, como um todo, com a sociedade gaúcha.
Nossa experiência política, desde a vitória de 1998, foi construindo níveis crescentes de distanciamento diante dos movimentos sociais e da sociedade civil organizada. O estreitamento de nossa base social de sustentação é um fenômeno ainda não dimensionado corretamente, mas parece evidente quando percebemos as dificuldades inéditas de trabalho junto à juventude, às camadas médias, aos servidores estaduais e à intelectualidade do RS.
Agrupamentos sociais que historicamente estiveram com o PT e foram sensibilizados por nossa conduta, transitaram para posições que vão do estranhamento resultante da decepção, à hostilidade aguda.
O resultado disso foi o crescimento no RS de um fenômeno político aparentemente novo: o "anti-petismo". Na verdade, uma espécie de ideologia agregadora de posições situadas à direita – que atinge também setores de centro e que conformou um discurso eficiente e mobilizador de uma base de massas até então dispersa ou afastada da cena pública.
Vivemos, ao mesmo tempo, uma crise partidária sem precedentes evidenciada pelo esgarçamento das nossas relações internas, pela desconfiança sistemática, pela ausência de um padrão ético de conduta militante e pela inoperância política das instâncias partidárias. Como se não bastasse, nossas duas principais referências públicas, Olívio Dutra e Tarso Genro, experimentam, por motivos diversos, um desgaste público considerável cujos desdobramentos são imprevisíveis.
Por tudo isso, é necessário assinalar que as perspectivas políticas que temos no RS são obscuras. Certamente, enfrentaremos riscos que não podem ser menosprezados quando das próximas eleições municipais. Governamos algumas das mais importantes cidades do RS e em todas, com a possível exceção de Bagé, temos problemas políticos graves a serem solucionados. O alerta, como todos nós percebemos, vale especialmente para Porto Alegre, nosso maior símbolo e referência internacional. Qualquer avaliação política responsável que possamos produzir no PT, nesse momento histórico, precisa assinalar, então, a gravidade da situação que temos pela frente.

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