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O BRASIL COMEÇA AQUI

Escrevo esta crônica de Macapá, capital do Amapá, onde me encontro, desde domingo, à convite do governo do Estado para uma série de palestras em torno de temas variados como: a Esquerda e o Humanismo, Reforma Penitenciária, Violência Juvenil e Medidas Sócio Educativas. O governador do Estado, João Alberto Capiberibe, do PSB, foi o único governador de esquerda reeleito para um 2° mandato. O PT integra o governo em posições destacadas.

Faz-se um belo trabalho por aqui: Todo o projeto de desenvolvimento econômico do Estado está centrado na tese do "desenvolvimento sustentado". Não se trata de um slogan, mas de uma diretriz real que informa todas as políticas públicas. A idéia é preservar a floresta e agregar valor aos produtos que ela oferece. Assim, o governo estabeleceu com os castanheiros, por exemplo, uma assistência tal que toda a cadeia produtiva da castanha foi radicalmente alterada acabando-se com a exploração que havia sobre estes trabalhadores agora organizados em cooperativas. Da castanha produz-se uma série de medicamentos, cremes, shampoos e cosméticos que estão sendo industrializados pelo Centro de Pesquisa Tecnológica do Estado. Na França se industrializa já o óleo comestível da castanha, de propriedades medicinais. A tecnologia está sendo repassada aos castanheiros do Amapá. A biodiversidade amazônica é o principal patrimônio deste Estado coberto em 98% de sua extensão pela floresta.

O Amapá é um Estado belíssimo cujo território esteve, durante muitos anos, em disputa entre Portugal e França. A influência histórica francesa e a proximidade da Guiana se fazem sentir na cultura local. O Amapá, entretanto é uma extensão dos legados indígena e africano.

Escrevo, no meu quarto de hotel, com o Amazonas na minha frente. Imponente este rio que parece o mar. O Brasil começa aqui com os povos da floresta: os waiãpi, os palikur, os kaxuyana, os galibi, entre muitos outros. O Brasil começa aqui com palavras como tucupi, tacaca, copaíba, jucá, açaí, andiroba. Há esperança no Amapá. Por sobre a miséria e a violência, há um sonho no Amapá, um sonho ambientalista e indígena. Que grande país o nosso. Que maravilhoso país!

Marcos Rolim - 13-12-99

 

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