Decifra-me ou te devoro : um balanço de 17 meses na FEBEM *1 Carmen S. de Oliveira *2 Este não deveria ser apenas mais um documento, tanto da parte de quem o escreve, quanto de quem o lê. Na verdade, trata-se de um texto-depoimento e, como tal, busca sair da lógica burocrática e também da imersão num caótico e vertiginoso cotidiano institucional que, muitas vezes, obstaculizaram a necessária reflexão e, nesta medida, o próprio trabalho do pensamento na FEBEM. Enquanto depoimento, trata-se de um esforço de usar a palavra como isca, ou seja, pescando o que não é palavra ainda, mas retalhos de uma trajetória, pistas anunciadas de novos caminhos, punhados de sensações. Logo, fica claro que é uma tarefa inconclusa e intransferível, onde o sujeito de linguagem aparece em toda a sua extensão nas entranhas desta escrita, sem intenção de completude ou de impessoalidade. Quem fala o tempo todo é uma gestora pública, uma militante, uma mulher, num texto datado historicamente, com a difícil tarefa de efetuar um balanço de gestão em meio a uma crise. Contudo, o depoimento é tomado aqui não como um amargo testamento. Diferente disto, o potencial oculto nestas entrelinhas é feito de resquícios de vida, vontade de resistência à dor e, acima de tudo, renovada esperança. *1Documento elaborado em maio/2000, acompanhando o pedido de exoneração do cargo. *2Ex-Presidente da FEBEM. Psicoterapeuta e Analista Institucional. Doutora em Psicologia Clínica (PUCSP). Professora Titular na Unisinos. FEBEM: um exercício de resiliência OPINIÃO |