cronic.gif (909 bytes)

CONSIDERAÇÕES SOBRE A VITÓRIA

O Partido dos Trabalhadores alcançou em todo o país uma vitória expressiva nas últimas eleições. Há quatro anos, havíamos feito 7,5 milhões de votos. Nessas eleições, alcançamos 12 milhões. O crescimento, da ordem de 50%, deu-se, basicamente, por conta do desempenho do partido nas grandes e médias cidades brasileiras. Trata-se de um fenômeno já percorrido por siglas emergentes no passado. Quem não se recorda do processo de crescimento e afirmação do antigo MDB quando a resistência democrática confinava politicamente a ARENA aos grotões da República? Pois bem, o PT passa a ser o Partido dos grandes centros urbanos o que lhe confere a possibilidade de uma expansão política ainda muito maior no futuro próximo.

Três grandes razões parecem-me explicar esse desempenho extraordinário: em primeiro lugar, a votação do PT recolhe um sentimento oposicionista frente ao governo federal que só tem se alargado nesse último período. Os indicadores de desemprego, a crise econômica e social tornada mais evidente após o fim do populismo cambial, o arrocho salarial ao qual estão submetidos os funcionários federais há 6 anos sem reajuste, a política responsável pela fixação de um salário mínimo de 151 reais, a crise imposta à saúde pública e à educação, o sucateamento do estado e a venda de mais de 70% do patrimônio nacional, etc. tudo isso pesou muito contra o governo de Fernando Henrique Cardoso e contra os partidos que lhe oferecem sustentação. Em segundo lugar, penso que essas eleições evidenciaram uma demanda crescente pela ética na política. O PT, por conta de uma especial preocupação com esse tema e pelos seus mecanismos internos de controle, jamais esteve associado à sucessão de escândalos que envergonham a nação. Essa diferença lhe assegura uma vantagem política ponderável, particularmente em tempos de ceticismo e desesperança. Por fim, creio que o exemplo das prefeituras já administradas pelo PT que vêm, em regra, oferecendo um modelo alternativo e vitorioso de administração pública, garantiram uma forma bastante eficaz para a quebra de preconceitos disseminados socialmente contra a esquerda. Formataram, também, aquilo que se convencionou chamar "o modo petista de governar", responsável pela apresentação por nossos candidatos das mesmas propostas de políticas públicas em todo o país.

A experiência de construção do PT vem afirmando o perfil de uma organização democrática, marcadamente republicana, cujos princípios de luta pela justiça social o situam à esquerda no espectro político- ideológico brasileiro e num lugar distinto daquele ocupado tradicionalmente pelos PCs. Na América Latina, pelo menos, a primeira organização com essas características a alcançar e manter uma base social significativa a ponto de lhe permitir verdadeira influência em uma reforma política e cultural no Brasil. Os resultados eleitorais, então, nos oferecem indícios importantes para a sustentação de uma expectativa otimista frente ao próprio futuro do país. As coisas estão mudando, pessoal - e rapidamente. Já era tempo, não é mesmo?

Marcos Rolim - 23-10-2000

 

[Inicial]
[Links] [Ensaios] [Crônicas] [Currículo] [Relatório Azul]
[Projetos Parlamentares] [Discursos selecionados] [Direitos Humanos]