O MARTELO DE THOR.
Na mitologia Vicking, imaginava-se que o mundo era uma ilha cuja parte habitável chamava-se Midgard (reino do meio). Os Deuses moravam ali em um lugar especial chamado Asgard. Além disso, tudo era o "mundo de fora" (Utgard), o lugar dos perigosos trolls que estavam sempre conspirando contra o bem. Thor, uma das mais importantes divindades nórdicas, era uma garantia e tanto contra os trolls, seja por sua perspicácia, seja pelos incríveis poderes de seu martelo. O poema norueguês Trymskveda relata um dos mitos mais populares daquela cultura. Ele nos conta que, durante o sono de Thor, seu martelo fora roubado. Trym, o rei dos trolls, gabava-se de ter enterrado o martelo 5 km na terra e afirmava que só o devolveria se a deusa da fertilidade - Freyja - se casasse com ele. A barganha era inaceitável. Martelo era a principal arma de defesa dos deuses; por outro lado, não poderiam perder Freyja, pois sem fertilidade em Midgard, deuses e homens não sobreviveriam. Foi então que o deus Heimdal teve uma idéia. Thor seria fantasiado de noiva. Seus cabelos seriam presos e duas pedras fariam às vezes de seios. Loki, seu ajudante de confiança, o acompanharia como se fosse uma "dama de honra". Na festa do casamento, Thor quase põe tudo a perder, pois come um boi inteiro, 8 salmões e bebe três barris de cerveja. Mas Loki o salva afirmando aos trolls que a "noiva" não se alimentava há 8 dias, de tão ansiosa com o casamento. Por fim, Trym ordena que tragam o martelo e o coloca no colo da "noiva". Conta o mito que Thor deu uma boa risada antes de matar todos os trolls. No mundo contemporâneo, as possibilidades reservadas ao martelo de Thor parecem estar, todas, inseridas no conhecimento. Com ele, pode-se destruir ou libertar. Aceita a analogia, vamos combinar que a Universidade é Asgard e que Thor é o seu soberano. Digamos assim, um rei thor. Com quem andará seu martelo? Terá sido enterrado pelos perigosos trolls que, por aqui, habitam o planalto? Perguntas do tipo deverão acompanhar a comunidade universitária nesse período que antecede as eleições para reitor na UFSM. Penso que as respostas que devemos construir estão muito bem representadas pela candidatura do professor Ronaldo Mota a quem quero, de público, emprestar meu apoio e solidariedade. Meu compromisso com a universidade independe de quem seja o seu reitor e devo acrescentar que guardo pelo professor Sarkis toda a consideração possível. Em muitas oportunidades, estivemos lado a lado em Brasília buscando soluções para a UFSM. Ano passado, por conta dessa colaboração, obtivemos a liberação de um milhão de reais para o Hospital Universitário com duas emendas ao orçamento, uma de minha autoria, outra de Valdeci Oliveira. Trata-se, então, simplesmente, de me posicionar em torno daquela que julgo ser a melhor proposta. O professor Ronaldo Mota expressa, hoje, uma renovação vivificante. Tê-lo como reitor, em breve, será o equivalente a reinserir a universidade em sua vocação pública - o que expressa não apenas uma luta constante contra as ameaças de privatização como, fundamentalmente, a aproximação tão desejada entre o conhecimento produzido pela academia e as demandas sociais por políticas públicas de caráter inclusivo. Algo assim como recuperar o martelo de Thor e colocá-lo a serviço dos habitantes de Midgard.
Marcos Rolim - 05-02-2001 |