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SOPRANDO COM O VENTO

Recentemente, esteve no Brasil o presidente do Instituto Worldwatch, Christopher Flavin, contando “que o mundo já descobriu maneiras mais inteligentes de gerar eletricidade”. Essa informação talvez nos traga luz. Flavin é um ambientalista com especialidade em energia e mudanças climáticas e sustenta que a resposta para a crise brasileira deveria ser procurada, cada vez mais, nas fontes renováveis.

Respondendo sobre os caminhos para explorar as novas fontes de energia, afirmou que as grandes companhias de petróleo tendem a desaparecer ou mudar radicalmente para investir em tecnologias de energia limpa e renovável, como células de hidrogênio, energia solar ou turbinas de vento.

O que parece, para muitos, ficção científica, já equivale, em outros países, a um promissor desenvolvimento tecnológico associado a mudanças políticas. As grandes mudanças ocorreram na Alemanha e na Espanha. Até agora, o mercado de energia eólica foi dominado por 4 países. Graças a leis que estimularam sua adoção, a Dinamarca, a Alemanha, a Espanha e os Estados Unidos têm, hoje, quase 90% dos geradores a vento do mundo.

No caso da Espanha, essa mudança permitiu importar a tecnologia e fabricar domesticamente os equipamentos. O programa conquistou a simpatia dos espanhóis porque lhe deu empregos, o que é compreensível quando se sabe que a taxa de desemprego já chega a 14% por lá. O resultado é que, em menos de três anos, o país entrou para o clube dos líderes mundiais em energia eólica.

Quem sabe o Brasil, que costuma copiar todos os enlatados americanos, não aproveita o sopro dos europeus para investir em outras alternativas energéticas e abandona o discurso de Bush em continuar procurando petróleo, inclusive nos santuários ecológicos do Alaska ? De acordo com Flavin, não está mais na hora de correr para os combustíveis fósseis porque eles não têm futuro. Flavin afirma que, comparadas com as grandes usinas a gás, as renováveis são mais rápidas, funcionam em instalações menos complicadas de construir, mais baratas - porque não dependem de combustíveis cada vez mais escassos - e mais limpas, porque não poluem o ar. Se o vento funciona na Europa, é claro que pode funcionar aqui. Já existem fazendas de vento no Brasil. Nesse campo, os recursos do Nordeste, especialmente, são invejáveis. São ventos constantes, que sopram o ano inteiro.

Não se trata de abandonar as hidrelétricas que o país já tem, que se constituem num patrimônio nacional e em uma base nada desprezível para o sistema de geração de energia. Mas, talvez, não valha mais a pena ampliar essa opção. Flavin disse que “fazer, agora, do gás boliviano o combustível de um programa energético me parece uma loucura. O Brasil gastará com a compra de gás na Bolívia um dinheiro que poderia usar aqui na exploração de fontes próprias de energia renovável. O Brasil ainda importa grande parte do petróleo que consome. O vento, o sol, o hidrogênio, entretanto, ele tem de sobra".

Mantendo um espírito animador, Flavin enfatizou que o Brasil tem uma certa tradição de começar depois, mas é, também, capaz de fazer as coisas mais depressa. Assim, a resposta que procuramos ou, pelo menos, uma parte importante dela talvez esteja mesmo, como diria Bob Dylan, "blowing in the wind". (soprando com o vento)

Marcos Rolim

11-06-01

 

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