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PORQUE DISPUTO A PRESIDÊNCIA DO PT

 

                                                  

                O Partido dos Trabalhadores realizará no próximo dia 16 de setembro a primeira eleição direta de sua história. Num único dia, em todo o país, nossos filiados estarão escolhendo as direções municipais, estaduais e o novo diretório nacional. Escolherão, também, os respectivos presidentes dessas instâncias. Trata-se de uma alteração radical na forma pela qual o PT formava suas direções. Até então, as convenções e os sucessivos processos de delegação terminavam por excluir a grande maioria dos filiados do processo decisório o que reforçou o poder da burocracia partidária e contribuiu para que as tendências do PT monopolizassem o poder. O PT, entretanto, é muito maior que suas tendências. Penso que ele é maior, inclusive, que a soma dos seus filiados. Por isso, as diretas no PT abrem um novo período na vida partidária e convidam nossa militância a um processo de renovação.

                Juntamente com outros companheiros e companheiras temos construído no PT uma posição crítica diante dos riscos de burocratização do partido e diante da herança autoritária e dogmática que, ainda hoje, caracteriza algumas das nossas correntes internas. Por conta disso, formamos recentemente a “Tendência Humanista” do PT e decidimos apresentar a nossa candidatura à presidência estadual do partido. Nossa pretensão é a de contribuir com o debate interno e enfrentar os limites de nossa própria experiência a partir de um conjunto de novas idéias. Elas fazem falta, hoje, no PT do RS. A maioria das tendências internas do partido transformaram-se em “agências de emprego” e só se reúnem para organizar estratégias de poder.  Esse processo tem empobrecido a vida partidária e transformado nossas  instâncias em espaços rituais de legitimação de decisões já tomadas. A experiência do governo estadual, hoje, por exemplo, pressiona objetivamente o partido para que ele seja, simplesmente, um instrumento de defesa das decisões governamentais. Pelo mesmo processo, os movimentos sociais que demandam diante do governo passam a ser tratados com desconfiança e, muitas vezes, como se fossem adversários.  Por esse caminho, o PT do RS terminará se transformando em um departamento do Estado.

          Por isso, queremos um Partido independente do Estado; um partido que mantenha os seus princípios e que esteja apto a criticar o seu próprio governo, sempre que essa for a melhor forma de ajudá-lo. Ou isso, ou a subserviência. Os filiados decidirão.

Marcos Rolim

23-07-01

 

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