NÓS QUE MORREMOS TANTO
Marcos Rolim Deputado Federal - PT
Mataram Celso Daniel, prefeito de Santo André. A notícia é quase inacreditável. Um dos fundadores do PT, três vezes prefeito, admirado por todos que o conheceram, Celso Daniel era uma figura ímpar. Primeiro, porque reunia as qualidades do ativista e do formulador. Sempre atento à necessidade de compreender as novidades que a própria experiência engendra, Celso Daniel era o oposto daquele tipo de militante que imagina ter descoberto a verdade. Segundo, porque era uma pessoa meiga e tranqüila; alguém de quem jamais se ouviu um discurso irado ou que portasse ressentimento. Nos últimos anos, nos encontramos em várias oportunidades, em seminários e painéis. Sua postura democrática e sua capacidade de diálogo sempre me impressionaram. Sua morte, marcada pela brutalidade, inunda o PT de tristeza e choca o país. O episódio, ocorrido apenas alguns meses após o assassinato, em circunstâncias semelhantes, do prefeito de Campinas, o Toninho do PT e após uma série de atentados e ameaças a lideranças do Partido, conduz à suspeita assustadora da existência de um grupo criminoso, armado e organizado, decidido a assassinar líderes petistas. Quero, então, afirmar que essas mortes não podem ser tratadas como episódios do drama geral da violência urbana. Essas mortes, aliás, não serão sequer compreendidas se forem tratadas nessa moldura mais ampla. É preciso que as autoridades governamentais e os órgãos policiais passem a dizer o que é simplesmente óbvio: estamos lidando com crimes políticos e a partir de certas características que permitem antever algo absolutamente novo; afinal, há indícios de que a organização criminosa que está por trás dessas execuções escolheu o PT como alvo. A polícia paulista ou é incompetente para identificar a autoria ou não consegue chegar a qualquer resultado por conta do comprometimento de parte de sua estrutura com o crime organizado. Na verdade, a situação toda envolve a segurança nacional e a estabilidade das instituições democráticas e deve merecer uma resposta nacional. Primeiro, politicamente, com fortes mobilizações em todo o país; segundo, com o envolvimento do Governo Federal, com seus recursos de inteligência e com a presença da Polícia Federal. Não é possível que em um momento grave como esse tenhamos de ouvir as mesmas promessas de sempre que mal encobrem a impotência dos que governam. Nós, do PT, já morremos demais. Somos um partido jovem e, não obstante, carregamos dezenas de mártires. Aqueles entre nós que foram assassinados nos deixaram exemplos de integridade moral e coragem. Em quase todos os casos, perpetradores e mandantes permanecem impunes. Agora basta! Exigimos do Estado brasileiro a identificação dos assassinos de Celso Daniel. Para que respondam por seus crimes nos termos da Lei. E depressa, antes que matem outros dos nossos.
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Marcos Rolim