POR TRÁS DO POLÍTICO CORRUPTO
Marcos
Rolim
Deveríamos nos espantar diante das intenções de voto que possuem, hoje, pessoas como Paulo Maluf, Antônio Carlos Magalhães, Jáder Barbalho ou Fernando Collor, para citar apenas alguns dos mais conhecidos denunciados por corrupção ou improbidade no Brasil. Mesmo assinalando que ninguém pode ser declarado culpado antes de uma sentença judicial, é evidente que a hipótese de que esses e outros políticos sejam, de fato, responsáveis por delitos não parece suficiente para que uma parte dos seus eleitores repense seu apoio. No RS, tivemos, recentemente, um episódio que parece confirmar o problema. Quando da prisão e da rápida soltura do ex-prefeito de Tramandaí, Elói Braz Sessim, observamos inúmeras manifestações de cidadãos comuns em solidariedade ao indiciado. As matérias divulgadas pela imprensa deram conta de declarações do tipo: "- Ele foi um grande prefeito..."; "...pode ter roubado, mas realizou grandes obras"; ou, então: "- Não é justo que só ele esteja sendo preso"; "...ele é um homem bom", etc. Ora, Sessim esteve mais de 4 anos foragido da justiça. Nem mesmo esta postura típica foi suficiente para que uma parte do seu eleitores identificasse na figura do ex-prefeito, pelo menos, um exemplo lastimável. Percebe-se, então, surpreendentemente, que atrás de todo político desonesto existem pessoas dispostas a aceitar a própria desonestidade. A conivência pressuposta na idéia do "rouba, mas faz" revela o vigor de uma determinada "eticidade" moderna pela qual parcelas da população valorizam aqueles que alcançaram o "sucesso", sem qualquer questionamento sobre seus métodos ou sem consideração sobre suas vítimas. Tudo se passa como se os interesses particulares fossem capazes de preencher de sentido a existência. Os que pensam assim, agem como se fossem predadores e terminam por se identificar com os predadores "vitoriosos". O ser humano não possui apenas os seus próprios interesses; possui, também, a capacidade de relativizá-los. Cada um de nós - com a exceção de Calliclès, o antagonista de Sócrates em "O Górgias", de Platão - sabe a diferença entre o lucrativo e o bom. Uma parte dos eleitores, entretanto, posiciona-se politicamente a partir de uma noção sobre o que seria vantajoso para si mesmo. O que poderia ser identificado como "bom" para todos, ou para o país ou para sua comunidade não diz respeito a eles. É preciso dizer, sem qualquer paternalismo, que é esse esquecimento - ou essa irresponsabilidade - que alimenta a pilantragem na política.
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Marcos Rolim 26-05-02