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A GREVE DO MAGISTÉRIO

A greve do magistério é o principal fato político desta conjuntura no RS. Diante dela, é fundamental que anunciemos publicamente nossa posição de uma forma tão clara e transparente quanto o próprio movimento. Particularmente, como um parlamentar do PT, sinto esta exigência de uma forma ainda mais radical. Afinal, meu partido é o principal responsável pela direção política do governo no RS a quem cabe encontrar uma solução que atenda às reivindicações dos professores. Digo, então, primeiramente, que a greve do magistério merece o apoio integral da população. Em todas as oportunidades que tenho de debate sobre a greve tenho repetido que a conduta de um partido de esquerda, com os compromissos que sempre caracterizaram o PT, não pode ser outra senão o apoio ao movimento grevista, a solidariedade aos professores e a exigência, diante do Estado, para que se aprofunde o caminho da negociação e para que uma nova proposta seja apresentada à categoria.

Não vai aqui qualquer simplificação. Trata-se de uma questão decisiva que envolve uma concepção política a respeito das relações entre partido, governo e movimentos sociais. Da mesma forma que o aparelho de Estado não pode ser encarado como uma extensão dos objetivos partidários, nem como um espelho dos movimentos sociais, também o PT ou os movimentos sociais não podem ser encarados como "correias de transmissão" de uma razão de Estado. Na verdade, os petistas devem evitar duas posturas que me parecem igualmente equivocadas: de um lado, a postura daqueles que - solidários com o governo - pretenderam frear o movimento reivindicatório exercendo, objetivamente, um papel conservador. De outro, a conduta dos que insistem em ignorar os desafios concretos de um governo atormentado por gravíssimas limitações orçamentárias e por um déficit operacional de mais de um bilhão de reais. Pelo primeiro caminho o PT só poderia construir uma subordinação inaceitável dos movimentos sociais ao Estado; pelo segundo, só poderia afirmar a irresponsabilidade.

A direção do CPERS, entretanto, tem sabido conduzir-se com altivez, firmeza e senso de medida. Sua presidente, professora Jussara, tem se revelado uma das mais qualificadas dirigentes do movimento sindical gaúcho. Por outro lado, não há dúvida de que o governo do estado está empenhado em encontrar uma solução que permita iniciar o processo de valorização do magistério gaúcho. A greve, por óbvio, pauta o tema com a agudeza própria das mobilizações populares. Felizmente, poderíamos acrescentar.

Marcos Rolim 13-03-2000

 

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