cronic.gif (909 bytes)

NOTÍCIAS DE UMA GUERRA PARTICULAR

João Moreira Salles é o autor do documentário intitulado "Notícias de uma Guerra Particular". A obra apresenta um retrato impactante de uma realidade que poucos conhecem: a guerra travada, no Rio de Janeiro, entre policiais e traficantes. Nesta quinta-feira, dia 23, às 15 horas, atendendo a convite nosso, João Salles estará na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre, para a exibição do documentário, seguido de debate com três convidados especiais: Moacyr Scliar, Giba Assis Brasil e Mário Fleig. A iniciativa da promoção partiu de um compromisso de nosso mandato: é preciso enfrentar a violência nesse país sem qualquer concessão à demagogia oferecida pelo discurso tradicional estruturado na hipótese repressiva. As forças de segurança pública, orientadas pelos governadores e autoridades da área, estão empenhadas na repressão ao tráfico de drogas. Por conta dessa disposição, já é possível somar às centenas as mortes de traficantes, suspeitos e policiais. A CPI do narcotráfico na Câmara Federal tem realizado audiências públicas, tomado depoimentos, encaminhado diligências e efetuado a prisão de suspeitos; normalmente a tempo de Deputados e algemados aparecerem no Jornal Nacional. Cria-se a idéia de que o crime organizado estaria, finalmente, sendo desmantelado. Quem assistiu ao documentário de João Salles sabe porque tudo isso não passa de conversa fiada. A maior contribuição que a CPI do narcotráfico ofereceu à nação, até agora, foi a de ter demonstrado, de forma inequívoca, a conivência e a associação de parte do aparelho de Estado com o crime, notadamente de parte de nossas polícias. A ilusão reside, precisamente, na idéia de que as investigações em curso sejam capazes de oferecer uma solução ao grave problema do tráfico de drogas no Brasil. Se tudo der certo e os Deputados da CPI forem acometidos por um acesso global de esclarecimento - o que parece pouco provável, teremos a responsabilização de dezenas de pessoas envolvidas diretamente com o tráfico e, logo depois, a substituição de todas elas nas posições desocupadas. Se queremos enfrentar o problema de fundo, é preciso finalmente perguntar porque motivos as pessoas consomem drogas e que tipo de necessidades subjetivas são satisfeitas nessa relação. Ato contínuo, seria importante reconhecer que a hipótese repressiva tem se revelado absolutamente inútil. Quando bem sucedida, produz prisões e aumenta o preço da droga tornando o negócio ainda mais lucrativo. Por tudo isso, parece incrível que se fale tão pouco em prevenção e que poucos assumam abertamente a idéia da descriminalização do uso de drogas.

Marcos Rolim - 20-03-2000

 

[Inicial]
[Links] [Ensaios] [Crônicas] [Currículo] [Relatório Azul]
[Projetos Parlamentares] [Discursos selecionados] [Direitos Humanos]