ÓDIO ON LINE No próximo dia 19 de abril terão se passado 5 anos do atentado a bomba perpetrado pela extrema direita em Oklahoma, EUA. Naquela oportunidade, havia um único site racista na Internet, de responsabilidade da Klu Klux Klan. Hoje, são mais de 2.200 sites violentos que pregam a discriminação contra negros, judeus, homossexuais, asiáticos, etc...além daqueles que estimulam a pornografia utilizando-se da imagens de crianças e agenciando a exploração sexual de crianças e adolescentes. Tornou-se possível, através da Internet, o acesso a sites que agenciam o comércio de drogas ilícitas, que propagam receitas de bombas caseiras ou que contém instruções de como praticar um atentado contra o Papa. Estamos, então, diante de um problema novo cujas repercussões não foram, ainda, dimensionadas pelas democracias contemporâneas. A situação toda deveria preocupar ainda mais posto que as crianças e os jovens são os primeiros a acessar esse tipo de informação. Os produtores destes sites violentos estão, em sua grande maioria (92%), nos EUA e terminam protegidos pelo anonimato. Em âmbito internacional, há um vazio legislativo a respeito da Internet. Por um lado, deve-se respeitar a liberdade de expressão e permitir que as possibilidades inéditas de democratização da informação sejam alargadas através do ciber espaço. De outro, não há como conviver com o anonimato e, por decorrência, com a irresponsabilidade na produção de sites que violam os direitos humanos. A atualidade desta temática, bem como a sua complexidade, fizeram com que trouxéssemos ao Brasil o Dr. Shimon Samuels, diretor do mundialmente reconhecido Centro Simon-Wisenthal, sediado em Paris. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, associou-se a UNESCO e, com o apoio de outras entidades (Federação Israelita, Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da AL/RS, Embaixadas de Israel e Alemanha), organizaram duas palestras com o Dr. Samuels abordando o tema "Ódio on line, racismo e discriminação na Internet", em Porto Alegre e Brasília. Nosso mandato integra-se, assim, aos esforços internacionais visando a regulação democrática do ciber espaço. Sabemos, afinal, que o ódio é indivisível e termina por contaminar a sociedade de tal forma que é a própria democracia que termina por ser afetada. A idéia dos Direitos Humanos, também nesse ponto, nos oferece o caminho alternativo para a multiplicação da solidariedade e a afirmação do pluralismo. Marcos Rolim 10-04-2000
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