RECEITA CONTRA A CORRUPÇÃO
Há muito que a corrupção acompanha como uma sombra a história brasileira. Desde a chegada dos primeiros colonizadores, as práticas de favorecimento pessoal, tráfico de influências e desvio de recursos públicos têm sido uma constante. Nada, entretanto, parece poder ser comparado com a situação atual. A máquina pública foi, em muitos municípios e em alguns estados da federação, capturada por quadrilhas que se abrigam em determinados partidos políticos e atuam impunemente. O caso da cidade de São Paulo talvez seja, apenas, o exemplo mais eloquente. As denúncias que pesam contra o prefeito Celso Pitta, eleito pelo PPB no esquema de corrupção que caracteriza o fenômeno do malufismo, trazem à tona uma parte dessa lama repugnante que é produzida pelos palácios habitados pela elite política de Pindorama. Um olhar sobre o Senado da República nos trará o caso do senador Luís Estevão, mega empresário da construção civil, acusado de desviar recursos da ordem de algumas centenas de milhões de reais, uma parte deles em conluio com o tristemente célebre juiz Nicolau, atualmente foragido. Também no Congresso Nacional, a nação acompanhou recentemente as denúncias contra Hildebrando Pascoal, eleito pelo PFL do Acre, cassado e preso por conta do seu envolvimento com o narcotráfico. Mais recentemente, sabe-se que as quadrilhas políticas têm surrupiado os recursos da merenda escolar e assim sucessivamente. Há 15 dias, realizei na Comissão de Direitos Humanos uma audiência específica sobre o grave tema da exploração sexual de crianças e adolescentes. Entre as pessoas que convidamos para depor, estava uma juíza alagoana, com atuação no município de Porto Calvo. Essa magistrada descobriu uma rede de agenciamento de meninas para a prostituição que envolvia policiais civis e militares, um juiz, um promotor, políticos locais e um padre (!) O local preferido pelos delinquentes para receberem meninas de 12, 13 anos em bacanais era o fórum da cidade. Como resultado, a juíza passou a responder inquéritos abertos pela corregedoria, enquanto enfrentava ameaças de morte. Pois bem. Parece que chegamos ao fundo do poço. É preciso lembrar, entretanto, que a conivência ou a participação de políticos nesta rede criminosa vem sendo assegurada, a cada eleição, pelas escolhas realizadas pelo povo brasileiro, particularmente por aquela parcela que costuma afirmar sua desilusão com a política. Os que não gostam de política são, exatamente, os eleitores de Maluf, Pitta, Hildebrando e seus parceiros. A despolitização vale dizer: a falta de consciência política - é terreno fértil para a proliferação da demagogia, para o estabelecimento dos vínculos de clientela e para o abuso do poder econômico nos processos eleitorais. Talvez, exista uma receita para se evitar aquele tipo de voto que costuma eleger corruptos. A coisa é bem simples: repare no discurso do candidato. Se ele prometer que irá resolver um problema seu, cuidado. Essa é a senha para a pilantragem. Se ele, além disso, lhe oferecer alguma vantagem determinada como dinheiro, emprego, auxílio, pagamento de alguma conta, material de construção, etc. chame a polícia. Afinal, você estará diante de um criminoso comum e é sempre bom fazer alguma coisa logo, antes que aquele sujeito alcance uma fatia de poder e ponha em prática seu programa verdadeiro. Marcos Rolim - 01-05-2000
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