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Nós que somos jovens sempre estivemos à frente de nosso tempo. Trazemos esta possibilidade única de antecipar o futuro e fazê-lo a nossa imagem e semelhança. Nossa matéria é a esperança. Somos sonhadores incorrigíveis e, por isso, nos embriagamos com versos. Seguimos imersos no próximo século e o que nos acontece foi no mês que vem. Misturamos a bebida e o tempo e só o que declaramos é o nosso amor. Em verdade, nos agrada o impossível; o desafio nos encanta. Nossos braços derrubaram muros, nossas camas guardaram fuzis, nossas guitarras tocaram hinos e horizontes. Trazemos o som e a fúria em nossas almas alargadas e cantamos quando a sorte é escassa. Nós somos a pedra e a vidraça; promessa, paz e arruaça. Somente nós sabemos do beijo nas barricadas. Para nós, todas as estradas se cruzam em nosso peito onde guardamos a tatuagem rara daqueles que não possuem destino. Nós somos esta viagem em direção ao que não foi feito. Trazemos tudo o que é proibido: um coração peregrino, um violino na garganta, a ira sacrossanta, um punhado de florais e, contra a monotonia, alguns venenos naturais. Nesta noite fria e sobre nossa pele há risos e brincos, cicatrizes e incensos. E seguimos incertos e precisos; como nuvens, suspensos; entrelaçados e sós. Convocamos, então, nossas tribos, com segredos e duelos. E espantamos nossos medos com batom e, nas esquinas, construímos castelos. Não somos seres extraordinários, misto de bruxos antigos e duendes vários. Somos concentrações de surpresa, leveza de cravos e jasmins e nos esquecemos com saudades e tristezas afins. Nós somos assim: jovens, simplesmente jovens. Radicais como a primavera que anunciamos, alegres como as tintas com as quais cobrimos nossas faces, febris como nossas mãos e nossos seios. Queremos as avenidas repletas, os livros todos, a invenção e a coragem. Queremos homens e mulheres inteiros, nem de aço, nem de barro. Que sejam flexíveis e mutantes como nossa própria metamorfose; que sejam infensos ao molde, entretanto. Que sejam capazes de apreender, mas que jamais se dobrem. Nós que somos jovens, queremos votar com paixão, por uma cidade que se orgulhe de si mesma, que seja tão livre como as pedras que rolam, tão terna como o vento que sopra e tão justa como as lágrimas que derramamos. Por tudo isso, nós que somos jovens, escolhemos o PT.
OPINIÃO
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