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O marxismo

10) Para a tradição marxista, a idéia do Socialismo sempre foi caracterizada como o equivalente a um regime de transição em direção ao Comunismo entendido este último como uma sociedade sem classes sociais. Em algumas oportunidades, Marx e seus seguidores mais ilustres se referem a ele como "a primeira fase do comunismo" ou seu "estágio inferior". Etapa "necessária" e "incontornável" do desenvolvimento histórico, o Socialismo foi compreendido pela tradição marxista não como uma "criação histórica", mas como uma imposição natural do próprio processo de desenvolvimento das "forças produtivas". A lógica operante na História - no plano das relações econômicas ou da "infra-estrutura"- haveria de assegurar as "condições objetivas" para a emergência do Socialismo a partir das próprias contradições presentes no sistema capitalista. A "luta de classes" era o "motor da história" no sentido preciso de ser seu dínamo real. As classes, entretanto, foram sempre definidas pelo papel exercido pelos sujeitos sociais na produção. Por isso, os marxistas sempre acreditaram na "determinação em última instância" do chamado "fator econômico". A classe operária foi concebida como o "sujeito universal"; vale dizer: como aquele segmento capaz de - ao emancipar-se do jugo do capital - assegurar a emancipação de toda a humanidade.

11) Como regime de transição, o Socialismo haveria de conhecer, como todos os demais sistemas anteriores, uma forma de dominação. Para Marx, entretanto, a diferença estaria manifesta no fato desta dominação organizar, pela primeira vez, "a supremacia da maioria sobre a minoria". O conceito que sintetizou esta concepção foi o de "ditadura do proletariado". Para Marx, toda e qualquer forma de Estado é uma ditadura de classe. Também no Socialismo, então, na medida em que houvesse um Estado ele seria uma ditadura. Este "Estado", não obstante, estava fadado ao desaparecimento e deveria definhar progressivamente, de forma a ser possível instituir no Comunismo uma forma de organização social onde houvesse, ao invés do "governo dos homens", a "administração das coisas".

12) O marxismo sistematizou a mais ampla e radical crítica ao sistema capitalista oferecendo o esboço de um modelo alternativo de organização da economia a partir da idéia de superação da "propriedade privada dos meios de produção" e do próprio mercado. Aliás, a crítica de Marx - que não se restringe à economia política - encontra na própria figura da "mercadoria" o processo decisivo pelo qual o capitalismo repõe a alienação dos seres humanos. ( "fetichismo da mercadoria") Para superar o mercado - instituição que antecede em muito o capitalismo - Marx propôs a centralização e a planificação global da produção a partir de mecanismos de participação direta dos produtores associados, o que eliminaria o desperdício derivado da "irracionalidade" do sistema mercantil.

13) O pressuposto fundamental da análise marxiana quanto à economia no Socialismo está localizado na perspectiva de um extraordinário desenvolvimento das forças produtivas no pós-revolução e encontra sua síntese mais significativa na idéia de "abundância". Assim, no Socialismo, vigoraria o princípio básico: "a cada um segundo o seu trabalho" e, no Comunismo, o princípio: "a cada um segundo suas necessidades". A utopia marxista propõe, então, o fim da "pré-história da humanidade e o início de sua verdadeira história". Na sociedade radiante do futuro, igualitária e fraterna, todos governariam não havendo, portanto, governados. Com o acesso assegurado a todos os bens capazes de suprir as necessidades humanas, não haveria mais qualquer interesse competitivo. Por decorrência, problemas de disciplina ou motivação seriam desconhecidos. Não seria mais necessário se exigir direitos de qualquer tipo, nem razão alguma para a permanência de regras restritivas, leis, juizes ou legislatura. Por óbvio, não haveria mais Estado, sequer nação-estado, nem tampouco comércio exterior ou qualquer comércio. O sistema de salário desapareceria, como de resto a própria moeda. A divisão de trabalho seria uma figura de museu e todos, libertos finalmente da divisão do trabalho, estariam habilitados a realizar uma multiplicidade de funções. Nas palavras de Marx: "embora nem todos possam pintar tão bem quanto Rafael, todos serão capazes de pintar muito bem".

Para uma crítica do marxismo:

OPINIÃO

 

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