SOBRE O MONITORAMENTO ELETRÔNICO

Uma parte não desprezível dos delitos, ao que tudo indica, é praticada por egressos do sistema penitenciário e por apenados do semi-aberto. Não há, no Brasil, entretanto, dado confiável sobre o fenômeno, porque os casos de reincidência registrados dizem respeito a uma parcela do problema, imersa em extraordinária subnotificação criminal. Por isso, taxas sobre crimes...

LAMENTÁVEL

Há determinados fatos ou passagens, às vezes detalhes ou palavras, que nos oferecem sínteses de um período histórico. São momentos luminosos ou aterradores estes, porque revelam mais do que estamos dispostos a reconhecer.  Na semana que passou, o novo modo de governar o RS exonerou Cézar Augusto Hermann do cargo que exercia, como motorista, porque...

OSWALDO, ACORDE, ELES FICARAM LOUCOS!

Outro dia, o veterano Alberto Dines, em artigo publicado no Observatório de Imprensa, lembrava uma passagem curiosa da invasão da Tchecoslováquia em 1968 pelas tropas soviéticas: na defesa da Primavera de Praga, estudantes que saíram às ruas para protestar contra os “tanques vermelhos” picharam um muro com a seguinte frase: “Lênin, acorde, eles ficaram loucos”....

ENTRE OS CÉUS DE GALILEU E ÍCARO

O livro “Participação, democracia e segurança publica” surge em um momento histórico paradoxal no Brasil quanto aos temas da segurança. Por um lado, as questões atinentes à violência e à criminalidade têm despertado crescente atenção entre nós, assim como na maioria das nações. Pode-se afirmar que, em nosso País, o próprio debate em torno das...

O RECADO DE DAVID BAYLEY

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, articulação não-governamental pioneira no Brasil, que reúne policiais, gestores e pesquisadores em segurança pública, realizou esta semana, em Recife, seu II Encontro Nacional, com mais de 700 profissionais participantes. A conferência de abertura foi ministrada por David Bayley, possivelmente o mais importante pesquisador das polícias em todo o mundo....

EXCLUSÃO PERPÉTUA

Preocupado com o fato de que, como sujeitos históricos, também necessitamos da história, Nietzsche  afirmou que a vida seria impossível sem o esquecimento. Para ele, o excesso de memória nos conduziria à prisão do passado, impedindo a ação. Independente desta conclusão, o que parece inegável é que os seres humanos não podem se definir por...

A EXTENSÃO DO FENÔMENO CRIMINAL o que dizem os estudos de auto-relato

Estudos de auto-relato (self report studies), onde se oferece aos entrevistados garantia absoluta de sigilo e/ou anonimato, passaram a ser realizados com mais freqüência a partir dos anos 50. Em um trabalho pioneiro, Porterfield (1946) examinou os registros criminais de 2.049 jovens encaminhados à Justiça em Fort Worth, Texas, identificando 55 tipos diversos de crimes pelos...

UM PROGRAMA PARA A SEGURANÇA

Normalmente, a atenção oferecida pelos veículos de comunicação aos temas da segurança pública segue a máxima “if it bleeds, it leads” (“se sangra, dá manchete”). Pouco se estuda, entretanto, a forma como a imprensa brasileira divulga crime e violência. Neste contexto, a pesquisa de Silvia Ramos e Anabela Paiva (CESEC-Cândido Mendes), “Mídia e Violência: Como...